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13-09-2022

Cólera, John Snow, Inteligência Geográfica – Origem da Epidemiologia Moderna

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O século XIX foi caracterizado pelo surgimento de cidades superlotadas e as péssimas condições de trabalho associadas a este período trouxeram como consequência a proliferação de doenças. Epidemias e pandemias tornaram-se frequentes e ditaram um período de enorme desafio para a medicina.


Este é o contexto para aquele que é provavelmente um dos primeiros casos devidamente registrados e densamente documentados de aplicação da inteligência geográfica da história (GeoAnalytics).

 

Estamos em 1854 e Londres passava por uma quarta onda de epidemia de cólera – uma doença que aterrorizou os britânicos ao longo de todo o século pela sua fatalidade. Numa questão de horas, a doença manifestava-se com sintomas graves e podia até levar à morte.

 

Como se pode compreender, àquela época, pouco se sabia e muito se especulava sobre as causas da doença. Os governos e órgãos médicos da época acreditavam que a doença era resultado da inalação do ar contaminado pelo mau cheiro da decomposição de matéria orgânica, presente nos ambientes pouco higiênicos das grandes cidades daqueles tempos.

 

Havia, no entanto, quem não acreditasse que a doença estava relacionada com o mau cheiro e a poluição do ar. Alguns cientistas imaginavam que a cólera pudesse ser fruto de contaminação por um agente infecioso e transmitido entre as pessoas, ainda que não houvesse uma teoria comprovadamente estabelecida. Uma destas pessoas era John Snow, médico nascido em York e graduado na University of London.

 

Ao presenciar a disseminação da doença e a morte de mais de 100 pessoas no distrito do Soho, Snow decidiu investigar a questão e construiu uma abordagem tratada ainda hoje como uma referência de aplicação de inteligência geográfica e um evento fundador da epidemiologia.

 

Ao conversar com os moradores locais, Snow mapeou as mortes por cólera ocorridas na região, e com isso percebeu padrões geográficos na disposição dos factos que o fizeram construir uma nova hipótese não relacionada com a contaminação do ar.

 

A sua investigação demonstrava que os casos de cólera mapeados se concentravam especialmente em torno de uma fonte de água local: uma bomba de água de um poço utilizado pela maioria das pessoas ali residentes.

 

A hipótese, portanto, era que algum agente presente na água estava a causar a doença nas pessoas que bebiam o líquido contaminado daquele poço. Snow não tinha informações disponíveis suficientes / conhecimento para compreender completamente qual era motivo / organismo que estava a contaminar a água, mas descobriu um padrão geográfico na disposição dos factos que apontava para aquele local como sendo a origem do problema.

 

Os estudos de John Snow foram relevantes ao ponto de convencerem os membros da política local a desativarem a bomba de água estabelecida como culpada por Snow ao removerem a alavanca de manuseio do poço, o que foi o suficiente para reduzir o número de casos de cólera na região. Uma pequena ação pautada por inteligência geográfica que salvou vidas.

 

Anos mais tarde, após a morte do próprio Snow, o governo local iniciaria a construção do esgoto de Londres, já pautado pelo reconhecimento das suas teorias. Uma grande ação pautada por inteligência geográfica que transformou o modo como vivemos e a sociedade como um todo.

 

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